Alabote-do-atlântico: o peixe cujo troféu tem de voltar

Há nesta série um pressuposto que durante quarenta e três artigos ninguém precisou de enunciar, porque valia em toda a parte: a lei traça a sua linha para baixo. Tamanho mínimo, defeso, restrições de anzol — tudo protege os peixes pequenos, e o grande é o objetivo. Com o alabote-do-atlântico, a Noruega traça ainda uma linha em cima. Um alabote com mais de dois metros não pode chegar a terra. Volta à água — e volta mesmo já morto. Este é, portanto, o primeiro peixe da série em que o troféu é justamente aquele que tens de deixar ir. O polo chama-se: o teto.

Um peixe, dois limites — e três confusões

Primeiro a determinação, porque sob a palavra «alabote» sobrepõem-se vários peixes. Fala-se aqui de *Hippoglossus hippoglossus* (Linnaeus, 1758) — usageKey GBIF 2409218, categoria SPECIES, estado ACCEPTED, matchType EXACT, família Pleuronectidae (familyKey 8611), ordem Pleuronectiformes (orderKey 588). ⚠️ Três confusões, todas resolvidas contra a API do GBIF em 02.09.2026 e nenhuma inventada: *Hippoglossus stenolepis* (2409216) é o alabote-do-pacífico — mesmo género, outra espécie, outro oceano; em inglês ambos se chamam simplesmente «halibut». *Reinhardtius hippoglossoides* (2409383) é o alabote-da-gronelândia, em norueguês *blåkveite* — mesma família, outro género, e é esse o peixe que na Europa central costuma estar na banca como «alabote». E *Scophthalmus maximus* (2409418), o pregado, pertence, apesar da ordem comum, a uma família diferente (Scophthalmidae, familyKey 5085); o seu nome antigo *Psetta maxima* (2409416) é, segundo o GBIF, apenas um sinónimo. ⚠️ A frase que sustenta o artigo inteiro: a mesma ordem não diz nada, a mesma família diz pouco — e na banca «alabote» quase nunca significa este peixe.

Porque acima dos dois metros já não há machos

E agora a razão pela qual o teto não é um capricho administrativo mas uma consequência da biologia. O Instituto norueguês de investigação marinha descreve a diferença entre os sexos com clareza suficiente para sustentar toda a regra: «Hunner opptil 3 m og 300 kg; hanner over 1,5 m og 50 kg» — fêmeas até 3 m e 300 kg, machos acima de 1,5 m e 50 kg. Os machos raramente passam dos 30 a 40 kg; normalmente só as fêmeas ultrapassam os 50 kg. ⚠️ Daí decorre a frase para a qual tudo converge: um alabote acima dos dois metros é quase sempre uma fêmea — e velha. As fêmeas só amadurecem por volta dos 99 cm e nove anos (os machos por volta dos 71 cm e sete anos), e a idade destes animais está lida de forma validada até cerca de 38 anos, com um máximo estimado à volta dos 50; as fêmeas vivem bastante mais do que os machos. Um peixe de dois metros não é, pois, um exemplar particularmente grande: é uma reprodutora que levou duas décadas a sê-lo. Levá-la não retira um peixe do manancial, retira todos os peixes que ela ainda teria produzido. O teto protege exatamente os indivíduos que sustentam a população — e é por isso que está em cima e não em baixo.

O que mudou em 2025

A Noruega apertou as regras de uma só vez em 2025, e as quatro alterações apontam na mesma direção. Desde 12 de junho de 2025 o alabote está protegido todo o ano a sul dos 62° N — aí já não é permitida a pesca dirigida, e a proibição inclui expressamente a caça submarina. A norte dos 62° N o defeso foi alargado um mês e vai agora de 20 de dezembro a 20 de abril, inclusive. O tamanho mínimo subiu de 80 para 84 cm. E no outro extremo chegou a devolução obrigatória acima dos 200 cm. ⚠️ Importante para quem viaja para pescar: a Noruega não tem um regulamento próprio para a pesca à linha. Quem pesca com cana fica sujeito às mesmas disposições que o pescador recreativo com rede, covo ou palangre — as proibições valem para todas as artes, fixas ou manuais. A ideia difundida de que «isto só diz respeito à pesca profissional» é, com este peixe, simplesmente falsa.

  • O defeso assenta na desova — e não por acaso. O alabote desova de dezembro a março a 300–700 m de profundidade, em depressões nos bancos ao largo da costa e nos fiordes. O defeso norueguês (20.12–20.04) sobrepõe-se exatamente a esses meses. Uma viagem de inverno ao norte planeia-se em torno deste peixe, não sobre ele.
  • Mede antes da foto, não depois. Entre 84 cm e 200 cm está a única janela em que o peixe pode ser mantido. São dois bordos duros: o de baixo e o de cima. A fita métrica sobe a bordo antes do peixe.
  • A devolução obrigatória vale também para peixes mortos. É aqui que a maioria tropeça: não é um apelo ao catch and release, mas uma exceção à obrigação de desembarque. Um alabote fora de medida não pode ser desembarcado, seja qual for o seu estado.
  • Planeia a luta de modo a que a devolução seja mesmo possível. Se a norma te pode obrigar a soltar o peixe da tua vida, é o equipamento que decide se ele sobrevive: material forte em vez de um combate interminável, luvas, nada de bicheiro havendo dúvida de tamanho, o peixe mantido dentro de água.
  • 62° N é uma linha na carta, não uma paisagem. Corre aproximadamente à altura de Stad. A sul vale a proibição anual, a norte o defeso. Quem pesca perto tem de conhecer a sua posição: aqui é o GPS que decide a situação legal.
  • Enganar-se na espécie sai caro. O alabote-da-gronelândia é outro peixe com outras regras. Quem não consegue determinar com segurança o que tem no anzol assume a regra mais estrita, não a mais cómoda.

E agora os papéis, porque este artigo vive ou cai com eles. As quatro disposições vivem no mesmo regulamento: a høstingsforskriften norueguesa (Forskrift om gjennomføring av fiske, fangst og høsting av viltlevende marine ressurser, FOR-2021-12-23-3910). ⚠️ O § 39 «Fredningstid for kveite, breiflabb og uer» diz tudo em duas frases: «Det er forbudt å fiske kveite sør for 62° N hele året. Det er forbudt å fiske kveite nord for 62° N fra og med 20. desember til og med 20. april.» — proibido todo o ano a sul dos 62° N, e de 20 de dezembro a 20 de abril inclusive a norte. O § 47 «Minstemål» indica no número 9: «Kveite 84 cm og 7,2 kg» — tamanho mínimo e peso mínimo. O § 44 esclarece o defeso: «All levedyktig fangst av kveite i fredningstiden skal straks slippes på sjøen» — todo o alabote viável volta imediatamente ao mar. ⚠️ E o teto está onde quase ninguém o procura: no § 51 «Ilandføringsplikt», a obrigação de desembarque. A sua regra base diz «All fangst skal føres i land» — todas as capturas têm de ser levadas a terra — e a alínea f abre a exceção: «Fangst av kveite med totallengde over 2 meter eller lengde uten hode over 160 cm målt som korteste avstand fra spord til gjellebue (buet bein) foran brystfinne. Slik fangst skal straks slippes på sjøen.» Ou seja: mais de 2 m de comprimento total ou mais de 160 cm sem cabeça, medidos como a menor distância da raiz da cauda ao arco branquial à frente da barbatana peitoral — devolvido ao mar de imediato. Como a regra é uma exceção à obrigação de desembarque e não ao tamanho mínimo, não distingue entre peixe vivo e peixe morto. ⚠️ Dois limites que este artigo não disfarça: são normas norueguesas — a Islândia, as Faroé, a Gronelândia, o Canadá e as águas da UE regulam o alabote de outra maneira. E os regulamentos mudam; o aperto de 2025 é a melhor prova disso. Antes da viagem verifica a versão em vigor, não este artigo.

Não o tamanho — o limite

Neste predador não decide quanto o peixe pode crescer, mas se cabe na estreita janela que fica entre dois limites. Um dia de alabote nunca é só uma questão de spot: é uma questão de data, latitude e fita métrica — e, a par disso, de tudo o que muda de hora a hora: temperatura da água, vento, pressão, maré, corrente e fase de luz. É exatamente para isso que a app StrikeAhead foi construída: lê a tua zona com janelas de atividade, dados meteorológicos e marinhos, carta e linhas de profundidade, e aprende com as tuas capturas para que pesques o momento em vez de o adivinhares. E porque numa costa estranha metade da resposta consiste em saber que banco rende com que maré e por onde passa o paralelo 62 sobre a água, a segunda metade é o atalho — esse saber não está em carta nenhuma, está numa cabeça. A app diz-te quando. O StrikeAhead Pathfinder diz-te com quem: o nosso diretório curado de guias de pesca e skippers — cada especialista verificado pessoalmente, licença e seguro conferidos antes da listagem, perfis construídos com capturas reais e verificadas do diário StrikeAhead em vez de fotografias publicitárias, sem ranking pago e sem comissão de intermediação para ti enquanto pescador.

Pesca o momento certo →