Pesca do espadarte: o predador que sobe até si
O voador era a distância sem sinal — navega-se até o encontrar. Com o espadarte, navegar à procura é o erro. Primeiro, o essencial: espadarte não é peixe-espada. O peixe-espada preto (Aphanopus/Lepidopus) é outra espécie, de outra família, muito conhecido nos mercados dos Açores e da Madeira — este artigo é sobre o Xiphias gladius, espadarte, espadon, pesce spada, kılıç balığı, ξιφίας, um peixe cujo rostro achatado pode atingir um terço do comprimento do corpo, com olhos enormes e, adulto, sem dentes nem escamas — a única espécie da sua família. De dia fica a várias centenas de metros de fundo, muito além de qualquer lance. Só ao anoitecer sobe, junto com as lulas e peixes de profundidade que migram para cima com ele durante a noite.
Onde está
Sobre fundo alto, não sobre estrutura. O espadarte não precisa de talude nem de recife — segue a migração diária da camada profunda de lulas e peixes pequenos que por sua vez evita a luz: funda de dia, alta de noite. Por isso não se navega até um ponto na carta, mas até uma profundidade de água — normalmente várias centenas de metros, muitas vezes junto a quebras para o largo, montes submarinos ou canhões onde essa camada se concentra. O Mediterrâneo tem população própria, residente o ano inteiro e não apenas de passagem, o que o distingue de muitos outros grandes migradores da região. No mundo é peixe de mares quentes e temperados. No Mar do Norte ou no Báltico é um extraviado, não uma pescaria — quem o procura ali procura no sítio errado.
Quando morde
De noite, sobretudo nas primeiras horas de escuridão após o pôr do sol até de madrugada. Com a luz a cair, a camada profunda dispersa-se e sobe em direção à superfície; o espadarte segue-a a partir da escuridão com olhos feitos exatamente para essa luz residual. Pouco antes do amanhecer a camada volta a descer, e o peixe com ela — a janela fecha-se de novo. Entre estes dois momentos não há acaso, mas um padrão diário: um movimento por noite, subida e descida, em vez das várias janelas de maré de outros predadores desta série.
Como se pesca
- À deriva sobre o fundo, não a navegar à procura: motor desligado, o barco vai à deriva com corrente e vento sobre a faixa de profundidade escolhida. O peixe vem ao isco, não o contrário.
- O isco fica na camada, não no fundo: lula inteira ou isco de peixe a várias profundidades ao mesmo tempo, normalmente entre a superfície e algumas centenas de metros, com uma luz química ou pequena luz no final da linha — exatamente onde está a camada de alimento que sobe.
- A cana fica no suporte, o ouvido no carreto: passam-se horas sem nada, depois a linha sai. A primeira corrida deixa-se normalmente correr, sem cravar, até o peixe ter mesmo levado o isco — só então vem a cravada longa e firme.
- A paciência é o verdadeiro equipamento: uma sessão dura normalmente a noite inteira, muitas vezes sem uma única mordida. Quem desiste ao fim de duas horas nunca começou de facto.
- A luta é uma maratona, não um sprint: um espadarte grande, trazido de várias centenas de metros, luta com corridas longas e saltos e pode durar mais de uma hora.
E depois o ponto que vem ANTES de qualquer lance com este peixe: ao contrário de qualquer outro predador desta série, o barco aqui não é comodidade, é autorização legal. Segundo o plano de recuperação da UE para o espadarte do Mediterrâneo (ver EUR-Lex), vigora um defeso anual de 1 de janeiro a 31 de março, um tamanho mínimo de 100 cm da mandíbula inferior à forquilha, ou 11,4 kg, e na pesca desportiva e recreativa só são autorizadas embarcações de cana e linha — o barco tem de constar de uma lista que o estado costeiro comunica ao ICCAT. A captura não pode ser vendida, conta para uma quota nacional recreativa e tem de ser declarada. A aplicação destas regras varia de país para país — o que vale em Itália não vale automaticamente na Croácia ou na Grécia.
Não a distância — a paragem
Com este peixe, o que decide não é quanto se navega, mas sobre que profundidade se para — e em que noite. A profundidade certa, o movimento da camada profunda, a fase lunar, a corrente e se sequer é possível uma saída legal e registada: tudo isso decide se uma noite sobre mar alto fica numa deriva vazia ou se torna esse acontecimento raro que se espera. É exatamente para isso que a app StrikeAhead foi feita: lê a tua zona com janelas de mordida, dados meteorológicos e do mar, carta e curvas de profundidade, e aprende com as tuas capturas para que peixes o momento em vez de o adivinhares. E com um peixe que exige um barco registado, a profundidade certa ao largo e muitas vezes uma noite inteira na água, a segunda parte é quase sempre o atalho: que barco, que profundidade, que noite — alguém que já conhece esta água e já tem esta autorização. A app diz-te quando. O StrikeAhead Pathfinder diz-te com quem: o nosso diretório selecionado de guias de pesca e skippers — cada especialista verificado pessoalmente, licença e seguro confirmados antes de ser listado, perfis construídos com capturas reais e verificadas do diário StrikeAhead em vez de fotos publicitárias, sem ranking pago, e sem comissão para ti como pescador.