Pesca da lota-do-rio: o predador com o ano ao contrário

A pescada vivia dentro de um movimento: a descida. A lota-do-rio vive dentro de uma estação, e é a errada. Lota-do-rio, burbot, Quappe, bottatrice, lotte de rivière, kwabaal, налим, lake, made, menek: um peixe com corpo de enguia e cabeça de bacalhau, marmoreado de verde-azeitona, com um único barbilho sob o queixo. É o único gadídeo que vive em água doce — toda a família está no mar e ela está em rios e lagos frios. E porque vem do frio, o seu calendário anda ao contrário do dos outros predadores: quando o lúcio, o lucioperca e a perca abrandam, ela começa.

Onde está

Primeiro o essencial, porque muda tudo o resto: a lota-do-rio não existe em Portugal nem em Espanha. É um peixe do norte, distribuído por todo o hemisfério boreal — o Danúbio e os lagos alpinos, os rios do norte da Europa, a Escandinávia, o Báltico, a Rússia e a Sibéria, a América do Norte e, no Japão, apenas o norte de Hokkaidō. Na Grã-Bretanha extinguiu-se, nos Países Baixos foi dada como desaparecida e está a ser reintroduzida, e em França, Itália e vários estados alemães consta de listas vermelhas. Este artigo é, portanto, para quem pesca fora: nos Alpes, no Danúbio, no norte. Lá está no fundo e sempre debaixo de alguma coisa: debaixo de pedras, em enrocamentos e esporões, em raízes, sob margens escavadas, em covas e canais. De dia é praticamente invisível porque está imóvel dentro de uma cavidade; de noite sai e percorre o fundo duro e pouco fundo — gravilha, calhau, pedra — muitas vezes bem mais perto da margem do que se espera de um peixe de fundo.

Quando pica

O seu interruptor é o frio e a sua janela é a noite. Enquanto a água está morna, recolhe-se aos cantos mais frios e quase não come; quando a temperatura desce no outono acorda, e o seu auge cai em pleno inverno: desova em água quase gelada, em grupo, sobre gravilha pouco funda, em muitos sítios sob o gelo. É por isso que quase ninguém a conhece: o seu melhor semestre é exatamente aquele em que a maioria das canas está arrumada. O tempo também funciona ao contrário. Vento, chuva, neve, baixa pressão e uma noite negra sem lua não são desculpas com este peixe, são condições. Com a lota escolhe-se de propósito a noite em que todos os outros ficam em casa. Uma ressalva desde já: em muitas águas essa janela está fechada por completo ou em parte — mais abaixo.

Como se pesca

  • O isco fica parado, não se trabalha: Uma montagem de fundo simples, lançada e depois deixada em paz. A lota vasculha o fundo de forma sistemática e encontra o isco sozinha. Recolher, dar puxões e relançar tira-lhe exatamente o tempo de que precisa.
  • Cheiro em vez de movimento: Tiras de peixe, pedaços de isco morto, um molho de minhocas — algo que deixe um rasto de cheiro. Caça pelo olfato e pela linha lateral, não pelo olho; por isso funciona em noite fechada e em água turva de cheia tão bem como em água limpa.
  • Mais perto e menos fundo do que pensas: De noite sobe à gravilha e à pedra mesmo à tua frente. O lançamento longo é o erro mais comum — duas canas, uma curta e outra longa, resolvem a dúvida na primeira hora.
  • A picada é um afastar-se devagar: Nem pancada nem arranque. Pega no isco e vai-se embora devagar com ele. Um carreto ligeiramente aberto ou uma ponteira macia mostra isso cedo; uma montagem rígida e esticada faz com que pouse o isco outra vez.
  • Verificar muitas vezes, não deixar ficar: Como engole fundo, o tempo entre a picada e a ferrada não é uma questão de gosto mas uma decisão sobre o peixe. Intervalos curtos, olho na ponteira — e anzóis e estralhos escolhidos para que devolvê-la continue a ser possível de verdade.

E depois a parte que neste peixe vem antes da técnica: é o primeiro predador desta série cuja melhor janela coincide com a época de desova. Primeiro: em boa parte da Europa ocidental a lota desapareceu ou ruiu, pelo que em muitos sítios está protegida todo o ano ou simplesmente não é pescável. Isso está no regulamento local, muda de país para país e de região para região, e lê-se antes da primeira noite, não depois. Segundo: onde é permitido pescar, a responsabilidade é tua. Os grupos de desova concentram-se em poucos pontos pouco fundos — estar lá três vezes numa semana não é pescar três vezes o mesmo sítio, é pescar três vezes os mesmos peixes. Terceiro: como engole fundo, devolvê-la muitas vezes não é uma opção real mas um gesto bonito; por isso decide-se antes do primeiro lançamento como se ferra, de quanto em quanto se verifica e quantas se levam. Um último ponto que raramente se lê: o seu fígado é tido como iguaria — e é também o órgão onde um peixe de fundo acumula o que a água transporta. Para águas afetadas existem recomendações locais de consumo.

Não o sítio — a estação ao contrário

Neste peixe, entre «nada» e «picada» não está o posto seguinte, mas a noite certa no mês certo. O ponto no mapa fica o mesmo durante anos; o que muda é a temperatura da água, o nível, a turvação, a pressão, o vento e a lua — e são esses que decidem se debaixo da pedra está um peixe parado ou um predador a caçar sobre a gravilha. É exatamente para isso que a app StrikeAhead foi feita: lê a tua água com janelas de atividade, dados meteorológicos e hidrológicos, mapa e curvas de profundidade, e aprende com as tuas próprias capturas para que pesques o momento em vez de o adivinhares. E num peixe que só encontras em meia noite e em meio ano, a segunda parte é quase sempre o atalho: que troço, que noite, que margem — alguém que já conheça essa água no inverno. A app diz-te quando. O StrikeAhead Pathfinder diz-te com quem: o nosso diretório curado de guias de pesca e mestres — cada especialista verificado pessoalmente, licença e seguro conferidos antes da publicação, perfis feitos de capturas reais e verificadas do diário StrikeAhead em vez de fotos publicitárias, sem ranking pago e sem comissão para ti como pescador.

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