Pesca do atum-voador: não conta o pesqueiro, contam as milhas

O atum-voador é o terceiro atum desta série e o único que não te dá nada para ler. No rabilho mandam a autorização, o timing e o barco; no sarrajão mandam as aves por cima da caçada. Aqui o mar está liso, calado e aparentemente vazio — e o peixe está lá na mesma, um degrau mais abaixo, em água mais fresca. Atum-voador (albacora-branca), germon, alalunga, atún blanco, ビンナガ: um nome diferente em cada costa para o mesmo atum de barbatanas longas que nunca mostra onde está. Quem espera um sinal volta vazio. Quem percorre água encontra-o. Não conta o pesqueiro, contam as milhas.

Onde se mantém

É um peixe de água livre sobre grandes fundos: ao largo, onde a plataforma se corta, nos bordos de um canhão, sobre um baixo que sobe, por cima de um fundo que nesse dia nunca vais ver. A diferença face a uma garoupa ou a um dentão importa: a este peixe não é a estrutura que o segura, é a água que está por cima dela. Por isso as suas moradas não são pontos mas bordos na água — uma mudança de cor do azul para o azul profundo, uma linha de espuma com sargaço à deriva, uma costura onde a água mais fresca e a mais quente se tocam e a superfície de repente corre de outra maneira. É o atum de água mais fresca da família: durante o dia mantém-se por baixo da camada quente de superfície, não dentro dela. E há um pormenor para aprender antes de largar amarras, porque mais tarde vira questão legal: a barbatana peitoral é longuíssima e passa bem além do início da segunda dorsal — nenhum outro atum tem isso. Honestidade sobre a distribuição: o Mediterrâneo tem um stock próprio, que no verão visita a água funda ao largo; o outro grande palco é o Atlântico — o golfo da Biscaia e os Açores, onde o mesmo peixe tem época própria e nome próprio.

Quando pega

É um visitante com época, não um residente: a metade quente do ano, quando a água ao largo assentou, é o seu período, e chega e parte com a migração, não com a previsão. Dentro do dia há duas janelas fiáveis e ambas estão no limite da luz: a primeira hora e a última. Aí anda alto. Quando o sol sobe, desce para debaixo da camada quente — e a partir daí não é ele que sobe até ti, és tu que desces até ele. Água em movimento ajuda: uma frente que puxa, um bordo com corrente, uma marulhada leve. Mar de espelho não é razão para ficar em terra, mas deixa a busca cega. E aqui vai a frase que separa este artigo de qualquer outro texto sobre atuns: uma superfície vazia não é argumento nenhum. Com o bonito e com o rabilho, as aves, os saltos e a caçada dizem-te que há peixe. Com o atum-voador a ausência delas não te diz nada, mesmo nada. Caça por baixo, muitas vezes sem que em cima aconteça o que quer que seja. Quem não acredita nisso mete a proa a casa ao fim de duas horas em branco; quem acredita ainda tem a tarde inteira.

Como se apanha

  • O corrico é a busca, não a pesca: o leque atrás do barco é uma grelha que arrastas pelo mar — amostras pequenas e rápidas, penas, polvos finos, escalonados a distâncias diferentes. Faz curvas em vez de linhas retas, muda de velocidade, corta a frente em vez de navegar colado a ela. O dia mede-se em água percorrida, não em horas em cima de uma marca.
  • Assim que o sol está alto, uma linha tem de ir ao fundo: amostra de trabalho fundo, chumbo de corrico, planer ou downrigger — qualquer coisa que deixe um rasto por baixo da camada quente. Em muitos dias a diferença entre o zero e um peixe é exatamente essa linha funda, enquanto lá em cima nada muda.
  • O primeiro peixe é a informação mais valiosa do dia: quase nunca viaja sozinho. Uma ferrada significa que o cardume está aqui. Marca a posição, volta atrás e trabalha o círculo em vez de seguir viagem. Um peixe fisgado costuma segurar o cardume junto ao barco — deixa-o trabalhar na água enquanto o resto lança ou deixa descer. A segunda cana está pronta antes de ser precisa, não depois.
  • Com o cardume por baixo, vai mais pequeno: agora não conta o tamanho mas a parecença — jigs leves, metais pequenos, amostras de lançar junto ao barco, estralho de fluorocarbono mais fino, anzóis mais pequenos. Este peixe tem olhos grandes e olha bem na água azul e limpa. Ficar na amostra pesada de corrico é ver o cardume e não apanhar nada.
  • Pesca bordos, não pontos: mudanças de cor, linhas de espuma e sargaço, a costura térmica, a orla da corrente. O peixe anda, o bordo fica. Um waypoint do verão passado não vale nada no atum-voador se o bordo hoje está noutro sítio — e vale tudo se voltou.

Há um ponto próprio desta espécie e não é caso raro: quem pesca ao voador mais dia menos dia fisga um rabilho. Nadam na mesma água e atacam a mesma amostra de corrico — e o atum-rabilho é um dos peixes mais estritamente regulados que existem. Na maioria dos países um pescador recreativo precisa de uma autorização expressa; sem ela o peixe volta ao mar de imediato e o menos maltratado possível. Resolve como o vais libertar antes de largar, não com o peixe ao costado — e reconhece a diferença logo à primeira pela tal peitoral. Para o próprio atum-voador valem as regras normais, mas a sério: licenças, declarações e regras de retenção mudam de país para país e conforme sais no teu barco ou com um charter licenciado. Confirma o que se aplica antes de ir; numa saída guiada, pergunta ao mestre. E porque um atum é um ventilador de ariete que só respira enquanto a água lhe passa nas guelras: ao soltar fica na água, nunca se levanta pelas guelras, e se o anzol está fundo corta-se o estralho em vez de puxar. O que se guarda mata-se já e como deve ser, sangra-se e arrefece-se — a qualidade de um atum decide-se nos primeiros minutos a bordo, não na cozinha.

Não o pesqueiro — as milhas

Nenhum outro peixe desta série mostra tão bem que um spot não é um ponto na carta mas um estado: o mesmo baixo é um pedaço de mar vazio num dia sem corrente — e três dias depois, com a costura térmica por cima e a água a puxar, é o sítio onde acontece o dia inteiro. É exatamente para isso que a app StrikeAhead foi feita: lê o teu spot com janelas de atividade, vento, mapa e linhas de profundidade e aprende com as tuas capturas, para que pesques o momento em vez de o adivinhares. E como este peixe vive ao largo, pede duas coisas que aparelho nenhum substitui: um barco com autonomia e alguém que saiba que bordo é que está a render este mês. Para isso existe o StrikeAhead Pathfinder: o nosso diretório curado de guias de pesca e mestres — cada especialista verificado pessoalmente, licença e seguro conferidos antes da listagem, perfis feitos de capturas reais e verificadas do diário StrikeAhead em vez de fotografias de publicidade, sem ranking pago, e para ti como pescador sem comissão de intermediação.

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